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"Combater o alcoolismo é combater o crime e fortalecer a família"
Na opinião de muitas autoridades, o alcoolismo é uma doença incurável e irreversível, isto quer dizer que uma pessoa que se tornou alcoólatra e hoje parasse de beber, daqui a muitos anos se escrevêssemos em seu túmulo: "Aqui jaz um alcoólatra", não estaríamos cometendo nenhuma injustiça.
Explicando melhor ainda: não se pode pensar que o alcoólatra poderá um dia voltar a beber, socialmente, ou de forma moderada. Isto é mentira, ele deverá ter forças para lutar até o fim de seus dias, minuto a minuto, segundo a segundo, contra o seu mais terrível inimigo que é o primeiro gole!
Diante de tal situação, uma primeira barreira se apresenta e, como barreira, sua transposição é difícil: o indivíduo precisa saber e aceitar que é um alcoólatra e, como todo doente, precisa inicialmente aceitar e, depois, querer o tratamento.
Aos poucos, é necessário que a pessoa se conscientize e se entregue de forma total à recuperação, vença sua ignorância, seu orgulho, seu amor próprio e diga: eu sou um alcoólatra, daí podemos dizer que meio caminho estará andado.
A outra metade do caminho você encontrará em qualquer lugar que for buscar a cura: na Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo, no Centro de Combate ao Alcoolismo da Polícia Militar, em seu médico, em seu psicólogo e principalmente em Deus, seja qual for a maneira que você o conheceu.
O QUE É O ALCOOLISMO?
A palavra alcoolismo foi empregada, pela primeira vez, em 1856, por um médico sueco, Magnus-Huss, como o conjunto das conseqüências da ingestão do álcool.
Para alcoólicos anônimos é uma doença progressiva espiritual e emocional (ou mental), tanto quanto física. Os alcoólatras que conhecemos parecem não poder controlar-se com relação à bebida.
Conceito de Alonso Fernandes - São transtornos bio-psíquico-sociais em função da ingestão de álcool, da perda da liberdade diante da bebida alcoólica.
Para Jellinek: Alcoolismo é qualquer uso de bebidas alcoólicas que ocasione prejuízos ao indivíduo, à sociedade ou a ambos.
Observação: Qualquer um dos quadros anteriores começa pelo hábito, até que chega à dependência orgânica e psíquica.
É PRECISO QUEBRAR A ROTINA DO ALCOÓLATRA
Como acontece em quase todas as doenças, o indivíduo passa a conviver pacificamente com seu mal, e chegaríamos até ao exagero de dizer que ele jamais se imaginou são. O alcoólatra costuma, inclusive, a ser chamado de cachaceiro, beberrão, pé-de-cana, esponja, alambique ou ainda, quando lhe dizem que já está fazendo dois quilômetros por litro, acha graça. Adapta-se, ao longo dos anos, com sua sina, sempre atribuindo-a a sua má sorte, a suas dificuldades, à intransigência ou perseguição de um superior, às dificuldades do serviço, à doença dos filhos e da mulher, que muitas vezes já o abandonou, enfim, a todos eles culpa, não poupando, nem o Papa, Jesus Cristo ou mesmo seu time de futebol. Não consegue admitir, nunca, que uma grande parte da culpa está nele.
Com o alcoólatra se dá o mesmo: ele passa a admitir seu estado e só se sente bem entre os companheiros de bar. Se está no serviço ainda, pois geralmente passa a ser tratado como um pária, passa o tempo todo nervoso, ansioso, contando no relógio o momento de sair, de ser livre para voltar a beber.
Por isto é necessário que algo seja feito, além da simples internação, e tenho visto excelentes resultados quando o alcoólatra é levado às instituições do tipo Centro de Combate ao Alcoolismo da Polícia Militar, Associações Antialcoólicas, etc, onde a psicoterapia em grupo consegue, muitas vezes, operar milagres que um caminhão de comprimidos jamais conseguiria.
AS CAUSAS DO ALCOOLISMO
O alcoolismo é, talvez, um dos mais graves problemas médico-sociais dos nossos dias, e cujas causas têm preocupado psicólogos, sociólogos, médicos, moralistas, fisósologos e religiosos.
A motivação para ingerir álcool está ligada a fatores de ordem biológica, espiritual, psicológica ou social.
Em algumas profissões ou certas categorias de trabalhadores, o alcoolismo é muito difundido pela própria natureza do trabalho, pois os donos de empório, padarias e bares costumam "gratificar" esses empregados com o oferecimento de "caipirinhas" ou "vermouths", como forma de simpatia. Nestes casos teríamos inevitável "alcoolismo profissional", que se iniciaria pelo hábito e, posteriormente, se transformaria em vício.
A imitação e o modismo é outra causa do alcoolismo, isto quer dizer que não podemos negar que atualmente "é moda ingerir álcool". Logo, o meio ambiente exerce poderosa influência para levar o homem ao vício de beber, quer pelas companhias, quer pelos exemplos. Pela publicidade, com o aprimoramento dos meios de comunicação, a propaganda influindo no subconsciente, leva-nos aos álcool, portanto, podemos dizer que a sociedade nos induz ao alcoolismo.
A fuga de problemas, porém é, no meu entender, uma das causas mais determinantes da formação dos alcoólatras, na sociedade moderna. Fuga de problemas de ordem moral, material ou psicológica: há sofrimentos no ambiente familiar, social e profissional.
Ilusões, injustiças, desilusões. Fuga de problemas que surgem na adolescência e que o indivíduo arrasta reprimindo, ao longo da vida, à espera de um fator desencadeante.
Desajustamento no lar e na sociedade, incertezas, angústia, dúvida, solidão, tensões e conflitos íntimos, para os quais o álcool seria uma válvula de escape.
Àquele que chegou ao alcoolismo falta apoio, e longe de ser um indisciplinado, é um doente. E esse apoio ele encontrará em Associações Antialcoólicas, no Centro de Combate ao Alcoolismo da Polícia Militar, Alcoólicos Anônimos, Ambulatórios de Recuperação de Alcoólatras das Prefeituras, na União Antialcoólica Fraternal de Laboterapia em Grupo, e principalmente em Jesus Cristo, buscaremos, como companheiros, tocar em seu ombro e dizer-lhe: AMIGO, PARE DE BEBER!

A maior parte das pessoas acredita que o álcool afeta principalmente o fígado, porém mais da metade dos alcoólatras apresentam danos neurológicos antes de apresentarem danos hepáticos.
Tudo começa por uma diminuição da memória, da capacidade de raciocínio, da capacidade de julgamento. Embora com a abstinência sejam quadros reversíveis, na maioria das vezes, é verdade também que 10% dos alcoólatras podem apresentar quadros irreversíveis com demência alcoólica.
Além dos problemas de comprometimento do sistema nervoso central, acima referidos, há também danos ao sistema nervoso periférico podendo se observar dificuldade para andar, escrever e tiques nervosos.
Além dos problemas neurológicos há que se registrar, entre vários, os danos esofagianos, gastro-intestinais, pancreáticos, cardíacos, e, na produção do sangue.
Mas, o fígado também é acometido pelo álcool podendo apresentar uma transformação de suas células em gordura - esteatose hepática, uma infecção - hepatite hepática ou fibrose - cirrose hepática.
Muitos não dão muita importância à esteatose hepática porque é quase sempre assintomática, podendo ser acompanhada de icterícia (pele amarelada). Não deve ser desprezada porque é um quadro inicial.
A hepatite alcoólica é bastante grave pois indica que as células estão morrendo pela ação tóxica do álcool.
A cirrose hepática indica que houve um processo de cicatrização e, neste local não há mais a função hepática.
O processo de comprometimento do fígado é silencioso porque não há nervos provocando sensações dolorosas. Assim, vai sendo destruído sem sintomas.

Guarulhos, 12 abril de 1972
 
Werner Helmut Schwaner * 17/07/1954 + 10/06/2002
 
"Todo mundo luta pela sua vida para conseguir sobreviver. Como todo mundo, depende um do outro como, eu atualmente dependo da minha família da minha mãe da minha irmã.
Dia a dia, o tempo vai passando, e cada vez mais eu vou obtendo conhecimentos e vou aprendendo para que um dia eu possa dar um bom lar para aqueles que o fizeram quando eu não podia.
Ontem uma criança que se distraia com bolinhas de gude e outros brinquedos, hoje um estudante, esforçando-se para aprender e absorver conhecimentos, amanha, um responsável chefe de familia um integrante da sociedade um homem que continua agudando o grau de desenvolvimento de um pais continuando onde outro parou e assim e o programa que cada homem, ou pessoa segue. Está e minha vida talves não seja bem assim mais todo mundo luta para sobreviver, porém nem sempre tudo da serto como a gente quer".
Esta carta foi reproduzida conforme o original, sendo ignorado os erros de ortografia.
Quero deixar aqui registrado, nestas poucas linhas, todo meu carinho e respeito por este homem, que além de ser meu primo, também era um pai, irmão, amigo e professor. Muito do meu conhecimento atual devo a esta pessoa, a quem muito admirava, tanto pela inteligência como pela força bruta. Fica a saudade e as recordações dos melhores momentos de nossas vidas...
 
 

Centro de Recuperação Coronel Edson Ferrarini
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