História e Significado
Em 1932, ano dedicado ao IV
Centenário de São Vicente, Guarulhos vivia a administração do prefeito
Ariovaldo Panadés. Ele, aconselhado pelo diretor do Museu Paulista, criou com
a autoria de Afonso D´Escagnole Taunay, em 1º de setembro pelo Ato 87 o
"Brasão Heráldico do Município". O documento foi firmado também pelos senhores
Carlos Panadés, procurador-tesoureiro e irmão de Ariovaldo, e pelo secretário
Paulo de Morais. Na íntegra, extrai-se os seguintes textos originais: "A quem
se deve a execução da capela em torno da qual se agrupa a população de
Guarulhos". Por sobre a cruz, a lua crescente de prata, atributo de Nossa
Senhora da Conceição de Guarulhos. Por sobre a parte principal, o triagrama
J.N.S., em letras de ouro em campo azul, recorda o papel preponderante da
catequese jesuítica em Guarulhos, por onde passaram grandes personalidades
como: Anchieta, Nóbrega, Leonardo Nunes, Sardinha, entre outros. No listel em
fundo azul e letras de pratas, a divisa da cidade. "O meu sangue é
genuinamente paulista", ou seja: "Vere Paulista, sanguis meus". No listel
encruzam hastes de cana e trigo, relembrando as culturas célebres do
Município. Como suportes, duas anhumas de asas abertas, simbolizando atributos
eminentemente paulistas. "A anhuma recorda o anhemby (Rio das Anhumas), o nome
primitivo do Rio Tietê, grande rio paulista que também barra as terras de
Guarulhos. Artigo 2º do referido Ato, o prefeito que o firma dá ao Padre João
Álvares a honra da execução da capela em torno da qual se agrupa a população
de Guarulhos. Artigo 3º, revogam-se as disposições em contrário. Publique-se.
Cumpra. Guarulhos, 01 de setembro de 1932. A 07 de dezembro de 1971, 39 anos
depois, o Ato 87 foi regulamentado pela Lei nº 1.679 e hoje, contemplamos o
Pavilhão Municipal, hasteado em todas as repartições públicas. É uma belíssima
bandeira, e seu porte altivo se ergue com os pavilhões do Brasil e do Estado
de São Paulo. O primeiro Brasão de Guarulhos foi composto por Affonso de E.
Taunay e descrito por Clovis Ribeiro.. "Escudo redondo português, encimado
pela coroa mural privativa das municipalidades. Em campo azul, duas cabeças de
índios e duas de brancos, de carnação, afrontadas. Em chefe (acima das duas
primeiras cabeças) a lua crescente de ouro, atributiva de Nossa Senhora da
Conceição; em abismo, a cruz "ancorada", atributo do apelido Álvares, na
antiga heráldica portuguesa. No listel, enramado de hastes de cana de açúcar e
de trigo, as mais velhas culturas do município, inscreve-se a divisa: o meu
sangue é genuinamente paulista, ou "vere paulistas, sanguis meus". Como suportes
do escudo, duas anhumas, as belas, grandes e ariscas aves que outrora deram
nome ao Tietê de Anhembi (rio das Anhumas), nos anos primeiros de S. Paulo.
Banha o antigo Anhembi as terras de Guarulhos e tem, como todos sabem, o maior
significado, no conjunto das tradições paulistas, como o "rio das Monções".
"Neste brasão (escreve Taunay) estão reunidas as figuras relembradoras da
fundação do arraial luso-indiático do século XVI e a do padre bandeirante João
Álvares, vigário de S. Paulo e grande benfeitor da antiga aldeia de Nossa
Senhora da Conceição, denominação atributiva ao arraial, depois vila e hoje
cidade, pois indiferentemente se chamava o lugar Conceição ou Guarulhos."
("Brasões e Bandeiras do Brasil" - de Clovis Ribeiro). Em 1991, no governo
Paschoal Thomeu, o Brasão foi modificado pela Lei 3761, de 24 de Abril.

Brasão de Guarulhos: "Vere
Pavlistarvm, sangvis mevs", ou seja:
"O meu sangue é
genuinamente paulista".